Diferentemente da pressão do Capitão Nascimento sobre seus recrutas em Tropa de Elite, filme de José Padilha, de 2007, há empresas que (temos certeza!) empenham todo o esforço para manter seus clientes. Esforço demais.
Ao circular pelos principais aeroportos do país, você pode ter sido abordado, ou conseguiu fugir daqueles quiosques com malas de bordo, brindes para desavisados passageiros que se tornam assinantes de revistas de uma editora, e começam um processo sem fim para se livrarem desta literal "mala sem alça".
Em setembro deste ano, o tormento dos passageiros teve um desfecho, com o fechamento dos quiosques nos aeroportos, cujos vendedores abordavam as pessoas na saída dos portões de desembarque, ou com perguntas indiscretas sobre o destino dos viajantes. "A senhora está chegando?", "o senhor está embarcando?".
Mas o incômodo dos assinantes teve fim?
No site Reclame Aqui, a editora alcançou mais de 4 mil reclamações nos últimos 12 meses, e sua reputação é considerada Ruim. Resta a pergunta: por que adotar uma técnica de venda e uma oferta de produtos que incomoda tanta gente? Qual é o objetivo deste negócio?
Estas mesmas perguntas podem ser feitas a toda sorte de empresas que atormentam seus clientes até que eles desistam de cancelar os serviços contratados.
Mas qual é a vantagem em manter um grande número de clientes, em boa parte insatisfeitos? Por que tornar o processo de cancelamento tão tormentoso para quem não quer mais fazer negócio conosco? Talvez porque sejamos tormentosos todo o tempo - desde a entrada até a saída? Talvez porque quem vê os números volumosos não vê as pessoas por trás deles, aborrecidas e decepcionadas com a franca tentativa de mantê-las atadas a um contrato de fidelidade que não tem fim?
Um negócio que ofereça um cancelamento fácil terá um diferencial como nenhum outro. E caberá ao negócio ser bom, eficiente e relevante o bastante para que seus clientes não recorram ao cancelamento tão fácil. Mas isso é o básico, certo?
WICTOR CHUTOU O CABO DE ENERGIA.
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